JAPÃO 2017 - DIA 13: MONTE KOYA

Koyasan: Monte Koya, monte sagrado do Budismo japonês. Ao fim de 3 comboios, teleférico e autocarro chegamos ao templo onde ficamos instalados. 

O monge recebe-nos com simpatia, mostra-nos onde ficam os banhos e o nosso quarto. Avisa-nos para não nos atrasarmos para o jantar, servido às 18h. Por esta altura já estamos mais ou menos confortáveis com agradecimentos profundos, fazer vénias longas e descalçar quando é preciso. 

Vamos fazer o caminho dos peregrinos por entre túmulos que ali estão desde o século VIII. O cenário poderia inspirar qualquer filme de aventura, mas o clima que se respira (depois de se fugir do buliço dos peregrinos, que no início me assustou) é profundamente místico.

Ao jantar esperamos algo espartano, afinal estamos num templo budista. Mas não, o budismo não assenta no sofrimento pessoal, antes procura escapar dele. E assim os monges preparam-nos mais um daqueles jantares japoneses de dezenas de tigelinhas de madeira. Tudo vegan. Depois do banho na piscina fumegante (eu já gosto disto de banho público, Tiago ainda se recusa), é hora de experimentar mais um modelo de pijama japonês. Ainda não vesti o meu pijama ocidental que regressará lavado a Portugal. 

No dia seguinte acordamos às 6h30 para o ritual da manhã. Dão-nos um mantra sobre a ilusão do mundo, em japonês com a tradução por baixo. Quando chega a altura de recitar, hesito, naturalmente. Afinal nem sei japonês nem sou budista. Mas eis que ouço ao meu lado, no meio da voz colectiva, uma que se destaca particularmente: é o Tiago, que recita, em japonês e com a cadência certa, tom exacto e profundo, os cerca de 50 versos complicados sobre a precariedade da vida como a conhecemos. Dá-me uma incontrolável vontade de rir. Este moço é uma caixinha de surpresas. Deve ser do jeito para a música. Metal e mantras budistas, Ok. Passo a perguntar-lhe onde vai, de 10 em 10 segundos, porque eu sou só uma turista totó ocidental, não estou profundamente imbuída da coisa, como ele. Lá consigo proferir uns sons.

Servem-nos pequeno almoço, e seguimos, para mais uma jornada que envolverá dez transferências de transporte até ao próximo destino.






Rita, 23 de abril de 2017




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